Oxigenoterapia hiperbária é indicada para tratamento de infecções pós-operatórias!

Dra. Daniela Floresmonoplace02O número de cirurgias plásticas no Brasil vem crescendo, consideravelmente, nos últimos anos, pontuando o país no segundo lugar do ranking mundial de cirurgias plásticas, atingindo 905.124 procedimentos, por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBPC).

Apesar de todos os cuidados que envolvem o procedimento, como a realização de exames pré-operatórios e a condução por médicos membros da SBPC, a técnica oferece riscos semelhantes a qualquer outro procedimento cirúrgico. O corpo pode reagir de maneira diferente do esperado, transformando o sonho em pesadelo. Os pacientes de cirurgia plástica estão sujeitos a reações à anestesia, infecções, quelóides e cicatriz hipertrófica. Se o paciente é fumante ou diabético, os riscos de complicações são maiores.

Para potencializar a recuperação dos pacientes de cirurgia plástica que foram acometidos por complicações, a oxigenoterapia hiperbárica pode ser utilizada como uma aliada, para melhorar a ação dos medicamentos e cicatrizar o ferimento mais rapidamente.

A família da dona de casa Maria Madalena da Rocha, de 46 anos, sentiu na pele os riscos que envolvem uma cirurgia plástica. Em janeiro deste ano, ela decidiu fazer uma abdominoplastia. Apesar da realização de todos os exames pré-operatórios, da escolha de um hospital adequado e de um cirurgião membro da SBPC, ela acabou contaminada por bactéria que impedia a cicatrização do corte. “Três dias após o procedimento, voltei ao médico para retirar o curativo, quando, para a surpresa de todos, a pele saiu junto com o curativo”, relembra Maria.

Mesmo com o uso de antibióticos para sanar o problema, a infecção evoluiu e Maria passou a sofrer com febre alta e muita dor. Nove dias após a cirurgia, ela foi internada às presas para a realização de uma raspagem sobre o ferimento. “Minha pele começou a necrosar e foi necessário retirar três camadas de pele do meu abdômen”. Maria chegou a ficar internada, durante semanas, na UTI. “Ficamos desesperados. Minha esposa queria ficar mais bonita e, de repente, estava à beira da morte”, relembra, emocionado, José da Rocha, marido de Maria.

Após mais de um mês de internação, a dona de casa foi encaminhada para o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica, como tentativa para cicatrizar o ferimento que não curava. “A decisão foi um ‘plano B’ que salvou a minha vida! Após algumas sessões, era visível que uma fina camada de pele começava a crescer sobre a ferida, após meses permanecendo aberta”, recorda. Segundo explica a médica hiperbarista da clínica Oxicenter, Dra. Daniela Vendramini Flores, as infecções pós-operatórias são evitadas de todas as maneiras, mas, em alguns casos, elas aparecem e levam à deiscência (abertura) da ferida. “Nestes casos, a oxigenoterapia hiperbárica atua no combate da infecção, aumentando a concentração do antibiótico na área lesada, melhorando a função das células de defesa do organismo e atuando, também, na produção das substâncias necessárias para a cicatrização, como, por exemplo, o colágeno”, pontua a médica hiperbarista da Oxicenter.

A oxigenoterapia hiperbárica consiste da respiração de oxigênio puro (100%), dentro de uma câmara especial e pressurizada. Dra. Daniela explica que, na atmosfera, o ser humano respira oxigênio a uma proporção cinco vezes menor e o aumento significativo deste percentual e da pressão fazem com que mais oxigênio chegue à lesão e, consequentemente, potencializa o processo de cicatrização. “Amplamente difundido nos Estados Unidos, mas ainda recente no Brasil, o procedimento é indicado para o tratamento de feridas de difícil cicatrização, comuns, por exemplo, no pé diabético, além de queimaduras, complicações no pós-operatório, entre outras enfermidades”, detalha.

A ferida da Maria começou a responder positivamente às sessões de oxigenoterapia hiperbárica e, algumas semanas depois, ela pode realizar um enxerto de pele, para fechar a ferida. “Os médicos diziam que eu ia passar este ano inteiro no hospital. Mas, depois da oxigenoterapia, pude realizar o enxerto mais rapidamente e a cicatrização evoluiu muito”, relembra Maria.

A oxigenoterapia hiperbárica aplicada após enxertos, segundo Dra. Daniela (foto), é eficiente, pois aumenta as chances de sucesso do procedimento, fazendo com que a pele se fixe por completo e a uma velocidade mais rápida, mesmo em áreas mal vascularizadas, por terem sofrido radioterapia, ou em pacientes fumantes ou diabéticos.

Quatro meses e 65 sessões de oxigenoterapia depois, Maria recuperou-se e pode, finalmente, voltar para casa. “A oxigenoterapia hiperbárica salvou a vida da minha esposa”, comemora José.

Apesar de pouco conhecida no país, a oxigenoterapia hiperbárica é aprovada pelo Conselho Federal de Medicina, desde 1995. A grande novidade é que, a partir de 2010, o tratamento foi incluído pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) no rol de procedimentos com cobertura obrigatória por todos os planos de saúde para algumas patologias, como é o caso do de complicações pós-operatórias. Muitos pacientes do SUS, por meio de ações judiciais, também já têm conseguido atendimento gratuito para o tratamento.




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