A origem da gula: A Gula e a alimentação no decorrer da história!

Girl eating spaghetti at table --- Image by © Jean Michel Foujols/zefa/Corbis

Girl eating spaghetti at table — Image by © Jean Michel Foujols/zefa/Corbis

Por Breno Rosostolato*

  Para suprir nossas funções vitais, exercemos diversas atividades. Alimentar-nos é uma delas. Nutrir, energizar, satisfazer um corpo que necessita deste e muitos outros cuidados básicos. Estamos sempre buscando o equilíbrio. O excesso, porém, ultrapassando os limites do razoável, nos conduz a uma reflexão quanto ao que se passa conosco.

         Fatores hormonais ou disfunções orgânicas podem, por vezes, explicar uma eventual compulsão alimentar. No entanto, há outras questões que podem elucidar, em boa parte, esse comportamento: os aspectos emocionais.

Em nossa sociedade atual, estamos em meio a um bombardeio de diferentes assuntos na mídia. À medida que temos cada vez mais programas culinários, que vão de receitas da vovó a realities de gastronomia, disputas de chefs ou aspirantes, temos um significativo aumento de incentivo a uma vida saudável, com quadros televisivos para promover o emagrecimento e assim por diante.

  Ao mesmo tempo, vivemos tempos de ‘vazios’ emocionais, falta de referências, modelos e padrões questionáveis, ditaduras e imposições sobre como devemos pensar e nos comportar. Para preencher tais lacunas, fazemos uso de comida, que sacia, cobrindo perdas e faltas. Os alimentos atenuam as ansiedades, medos, desordens emocionais. O corpo é escravizado e sofre modificações para enquadrar-se. Quando não consegue, é discriminado, fragmentado e exposto.

Os medicamentos e a indústria farmacêutica agem a favor de emoldurar o ser humano. Hoje, existe remédio para tudo. Nunca houve tantas cirurgias plásticas como nos últimos anos. E a mais nova onda social é a “gordofobia”. Na verdade, somos todos “gulosos”. Não nos contentamos com aquilo que temos. Insaciáveis. A compulsão alimentar é apenas mais um retrato da inquietude do homem. O corpo, a válvula de escape.

 Religiosamente, comer e beber são motivos de felicidade, uma dádiva de Deus para que o homem se deleite. Algumas passagens bíblicas fazem referência ao comportamento de esbaldar-se na comida, como na que o profeta Isaías comenta que, no final do mundo, haverá banquetes, com bois gordos e vinhos velhos.

         O que está intrínseco ao comportamento e o que se atribui ao alimento são os propósitos do excesso. Muitas vezes, é o afeto vinculado ao alimento que faz com que o corpo se perca na tentação da gula.

A gula seria o primeiro dos pecados capitais, porque é a porta de entrada de todos os outros. Engolimos a luxúria, a preguiça, a ira e assim por diante. Qual o primeiro pecado do homem? Comer o fruto proibido. Foi através da gula que o homem se opôs às orientações de Deus. Gula que, para Dante Alighieri, na Divina Comédia, é um pecado pior do que a luxúria, porque nesta o culto é ao outro, ao corpo do outro, enquanto na primeira, é pelo próprio ventre, o próprio corpo.

Se num primeiro momento, o ato de comer, se empanturrar, está associado ao prazer, aos poucos, esta dinâmica torna-se pecaminosa e assim, sujeita à punição. A imagem do ‘glutão’, ou seja, aquele que cultua a gula, passa a ser recriminada e, daí, uma mudança sobre como encarar a comida.

A partir do século XVII, a ideia não era apenas comer, mas comer com educação, com regras, muito embora esta mudança não implique alterações no corpo. A gordura é sinal de fartura, um status de poder. Exemplo disso são os quadros de Sandro Botticelli, que retratavam figuras gordas, fartas e opulentas. Mais tarde, entre o século XIX e XX, a preocupação não era apenas comer, mas comer com qualidade e bem. Com isso, a sociedade passa a entender a gordura como sintoma de doença e, portanto, a magreza torna-se o padrão de beleza.

* Breno Rosostolato é psicólogo e professor da Faculdade Santa Marcelina – FASM




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