A dificuldade para engravidar e suas oportunidades por Cynthia Boscovich!

Foto: Getty Images

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Não é fácil, mas para quem está tentando engravidar, parece que o universo conspira contra, e muitas vezes, sentimentos como raiva, tristeza, inconformidade e até revolta, podem interferir no equilíbrio emocional, se estendendo até no físico de quem está às voltas com essa dificuldade. E os pensamentos parecem se tornar obsessivos em relação ao assunto.


Para muitas pessoas, a maternidade ou a paternidade é algo natural, que acontece no tempo em que desejam ou até mesmo antes. Mas, para outras, essa espera não é tão simples e acaba por se tornar motivo de angústia e ansiedade.
São inúmeros os motivos que levam as pessoas a decidirem ter um filho e nem sempre coincidem com os do parceiro. É comum nos depararmos com casais que divergem em relação ao desejo de ter um filho ou em relação ao momento certo para isso. Nem sempre o que um espera e deseja é o mesmo que o outro. Percebo, em muitos casos, que um dos parceiros deseja muito ter um filho, enquanto o companheiro tem outras preocupações. Isso pode gerar muitas decepções entre o casal e até mesmo ser o motivo de brigas e, em alguns casos, resultar em separação. O casal precisa estar em sintonia, mesmo porque os tratamentos de infertilidade nem sempre são simples e requerem paciência e apoio mútuo.

A ansiedade, pode muitas vezes interferir no tratamento para engravidar. Evidentemente, é muito perigoso afirmar que a ansiedade pode ser a causa da infertilidade nos casais que não conseguem gerar um filho. Seria muita falta de responsabilidade fazer essa afirmação, até porque são numerosas as causas da infertilidade, e podem estar relacionadas ao homem, à mulher ou até mesmo a ambos ou a nenhum dos dois, como vemos nos casos de casais que apresentam infertilidade inexplicável, ou seja, quando não há causa aparente que a justifique.


Um bom diagnóstico de um especialista em fertilidade pode proporcionar tranquilidade ao casal e elucidar as causas e os possíveis tratamentos existentes para o problema. Contudo, manter a calma e a serenidade nessa etapa nem sempre é fácil, e o processo terapêutico pode ser muito rico nessa fase. Nesse momento, cada um pode ter a oportunidade de entrar em contato com diversas questões que anteriormente nem sequer perceberiam e que agora podem aflorar ao consciente, atribuindo novos significados a uma diversidade de aspectos da personalidade.


Nesse período de espera, observo a oportunidade que cada um pode ter de fazer uma reflexão interna a respeito do que significa para si mesmo ser pai ou mãe. É possível que a longa espera transforme até a maternidade ou a paternidade em um desafio, e a frustração decorrente das tentativas malsucedidas de tratamento ou adoção, podem gerar muita angústia e até revolta. É comum nos depararmos com pacientes indignados com mães que se submetem a abortos ou abandonam os filhos, denotando extrema incompreensão com a situação em que se encontram. Por isso, o processo terapêutico individual ou até de casal torna-se imprescindível, pois reassegura a condição que cada um tem em relação à sua situação propriamente dita e também a si mesmo.


Por fim, sabemos que a espera pela chegada de um filho talvez seja demorada, mas pode ser vivida como um grande aprendizado. É importante que as pessoas que se encontram nessa situação não desistam e percebam a possibilidade de aprender muito a respeito de si mesmas e até do parceiro, se conseguirem ter a tranquilidade necessária e aproveitarem devidamente essa fase.

Cynthia Boscovich


Psicóloga clínica, psicanalista. Membro regular da sociedade brasileira de psicanálise winnicottiana. Atende adolescentes e adultos em seu consultório. Desenvolve também um trabalho específico com gestantes, mães e bebês, na área de prevenção e tratamento.
www.cuidadomaterno.com.br




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